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Regulamento da IA · União Europeia

AI Act prazos para empresas: obrigações e datas para PME

O Regulamento da IA (Regulamento (UE) 2024/1689) aplica-se por fases: proibições e literacia em IA desde 2 de fevereiro de 2025, obrigações de transparência, como avisar que a pessoa está a falar com um chatbot, desde 2 de agosto de 2026. O omnibus digital sobre IA, em vigor desde 27 de julho de 2026, adiou apenas as regras para sistemas de risco elevado, para 2 de dezembro de 2027 e 2 de agosto de 2028. Uma PME que usa um chatbot ou IA generativa já tem hoje obrigações concretas.

Três perguntas para saber onde está a sua empresa

Antes de olhar para datas, vale a pena responder a três perguntas simples. As respostas dizem quase tudo sobre o que o Regulamento da IA, conhecido como AI Act, exige ao seu negócio.

Primeira pergunta: a sua empresa desenvolve um sistema de IA e coloca-o no mercado, ou usa ferramentas feitas por outros? No primeiro caso é «prestador»; no segundo, «responsável pela implantação». Uma clínica dentária com um assistente de marcações, uma loja online que gera descrições de produtos ou um gabinete de contabilidade que resume emails com IA são responsáveis pela implantação.

Segunda pergunta: há clientes ou outras pessoas que falam diretamente com a IA, ou que veem imagens, áudio ou vídeo realistas criados por ela? Se sim, as regras de transparência já se aplicam.

Terceira pergunta: a IA decide ou prepara decisões sobre pessoas em áreas sensíveis, como recrutamento, crédito, avaliação de alunos ou acesso a serviços essenciais? Se a resposta for não, a sua empresa fica, em princípio, longe do regime mais exigente.

Calendário de prazos, já com as alterações do omnibus

O Regulamento (UE) 2026/1744, o omnibus digital sobre IA, foi publicado no Jornal Oficial da União Europeia a 24 de julho de 2026 e entrou em vigor a 27 de julho de 2026. Altera o Regulamento da IA e fixa as novas datas no próprio texto.

A tabela resume o que se aplica em cada data e a quem interessa mais.

Tabela de decisões
Datas de aplicação do Regulamento da IA após o Regulamento (UE) 2026/1744

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Datas de aplicação do Regulamento da IA após o Regulamento (UE) 2026/1744
DataO que passa a aplicar-seA quem interessa sobretudo
2 de fevereiro de 2025Práticas de IA proibidas e obrigação de literacia em IA (art. 4.º)Todas as empresas que usam ou fornecem IA
2 de agosto de 2025Obrigações para modelos de IA de finalidade geral (GPAI), governação e sançõesQuem desenvolve grandes modelos
2 de agosto de 2026Obrigações de transparência do art. 50.º: avisar quando se interage com IA, sinalizar conteúdos geradosEmpresas com chatbots, assistentes de voz ou IA generativa
2 de dezembro de 2026Fim da transição para a marcação de conteúdos gerados por sistemas colocados no mercado antes de 2 de agosto de 2026Prestadores de ferramentas generativas
2 de dezembro de 2027Sistemas de risco elevado do anexo III (antes: 2 de agosto de 2026)Quem usa IA em recrutamento, crédito, educação, serviços essenciais
2 de agosto de 2028Sistemas de risco elevado integrados em produtos regulados, anexo I (antes: 2 de agosto de 2027)Fabricantes de máquinas, dispositivos e produtos com IA

O que já se aplica hoje a uma PME que usa IA

Desde 2 de agosto de 2026, o artigo 50.º exige que as pessoas saibam quando estão a interagir com um sistema de IA. Um hotel rural no Alentejo que responde a pedidos de reserva com um chatbot deve mostrar, logo no início da conversa, uma mensagem como «Está a falar com um assistente baseado em inteligência artificial». Segundo a leitura dominante entre juristas e consultores, uma referência escondida nos termos e condições ou na política de privacidade não chega.

O mesmo vale para assistentes de voz ao telefone: o aviso deve surgir no início da chamada. E vale para imagens, áudio ou vídeo realistas que imitem pessoas ou acontecimentos reais. Se uma agência de marketing cria um anúncio com uma voz ou um rosto gerados por IA que parecem de alguém real, deve indicar que o conteúdo foi gerado ou manipulado artificialmente. Para obras claramente artísticas, satíricas ou de ficção, a obrigação é mais leve.

Há ainda a marcação legível por máquina dos conteúdos gerados por IA, uma espécie de marca de água digital. Esta obrigação recai sobretudo sobre os prestadores das ferramentas generativas. Para sistemas já colocados no mercado antes de 2 de agosto de 2026, a transição termina a 2 de dezembro de 2026. Se usa uma ferramenta de terceiros, pergunte ao fornecedor como trata a marcação.

Por fim, desde 2 de fevereiro de 2025 aplica-se a obrigação de literacia em IA, explicada mais abaixo, e a proibição das práticas de IA consideradas inaceitáveis.

  • Chatbot ou rececionista virtual: aviso visível no início da conversa.
  • Assistente de voz: aviso na primeira frase da chamada.
  • Imagens, áudio ou vídeo realistas de pessoas ou acontecimentos: indicação de conteúdo artificial.
  • Equipa que usa IA: formação adequada e registo dessa formação.

O adiamento do omnibus: o que mudou e o que ficou igual

Em 2026 circularam títulos como «AI Act adiado». A frase é verdadeira só em parte. O Regulamento (UE) 2026/1744 adiou apenas as obrigações para sistemas de risco elevado: os do anexo III passam para 2 de dezembro de 2027 e os integrados em produtos do anexo I para 2 de agosto de 2028.

Ficaram nas datas originais as proibições e a literacia em IA (2 de fevereiro de 2025), as obrigações para modelos GPAI (2 de agosto de 2025) e a transparência do artigo 50.º (2 de agosto de 2026). São precisamente estas últimas que mais tocam as pequenas empresas.

De acordo com as sínteses publicadas por sociedades de advogados internacionais, o omnibus também simplifica a documentação exigida às PME e às pequenas empresas de média capitalização. Os pormenores estão no texto. Não se trata, porém, de uma dispensa das obrigações de transparência.

Literacia em IA: o que significa na prática

Desde 2 de fevereiro de 2025, prestadores e responsáveis pela implantação devem garantir que o seu pessoal e outras pessoas que usam IA em seu nome têm um nível suficiente de literacia em IA. O regulamento não impõe um programa fixo, um número de horas nem um certificado.

Para uma pequena empresa, isto quer dizer que quem usa IA sabe o que a ferramenta faz, onde costuma errar e que dados não deve introduzir. Numa imobiliária com doze pessoas, pode bastar uma sessão interna de uma hora, uma regra escrita curta e uma pessoa de referência para dúvidas.

Guarde registo: data, participantes, temas. É a forma mais simples de mostrar que levou a obrigação a sério.

Quando um uso de IA passa a ser de risco elevado

Um sistema não é de risco elevado por ser «inteligente» ou por conversar com clientes. Passa a sê-lo quando desempenha uma das funções enumeradas no anexo III. Entre elas estão, por exemplo, o recrutamento e a gestão de trabalhadores, a avaliação da capacidade de crédito, a avaliação de alunos e exames e o acesso a serviços essenciais privados e públicos, incluindo a avaliação de risco em seguros.

Um chatbot que marca mesas num restaurante ou um rececionista de IA que responde a perguntas frequentes sobre horários e preços não cai, em regra, nestas categorias. Para estes usos contam sobretudo as regras de transparência.

Outra coisa é uma empresa de trabalho temporário que usa software para ordenar e excluir candidatos automaticamente, ou uma financeira que avalia clientes com uma pontuação gerada por IA. Aqui o uso entra numa área do anexo III e deve ser tratado como potencialmente de risco elevado, com obrigações a partir de 2 de dezembro de 2027. Os limites exatos devem ser confirmados no texto do anexo e, em caso de dúvida, com um advogado.

  • Em regra, não é risco elevado: chatbot de reservas, rececionista de IA para perguntas frequentes, resumo de emails, ajuda na redação de textos.
  • A analisar com cuidado: triagem automática de currículos, pontuação de crédito, correção de exames, decisões de acesso a serviços essenciais.
  • Atenção às extensões: se o chatbot passar a decidir quem obtém um emprego ou um crédito, a avaliação muda.

Plano de ação em seis passos

Passo 1: faça uma lista de todas as ferramentas de IA usadas na empresa, incluindo funções de IA em software que já tem (email, CRM, faturação) e ferramentas escolhidas pelos próprios colaboradores.

Passo 2: anote para cada uma o papel da empresa (quase sempre responsável pela implantação) e a finalidade: atendimento, marketing, administração, recursos humanos.

Passo 3: reveja todos os pontos de contacto com clientes. Chatbots, assistentes de voz e respostas automáticas devem indicar de forma visível que são IA.

Passo 4: defina uma regra interna para sinalizar imagens, áudio e vídeo realistas gerados por IA que mostrem pessoas ou acontecimentos.

Passo 5: dê uma formação curta em literacia em IA e guarde o registo.

Passo 6: identifique os usos ligados a recrutamento, crédito, educação ou serviços essenciais. Planeie uma verificação bem antes de 2 de dezembro de 2027 e pergunte aos fornecedores como se estão a preparar.

Coimas, fiscalização e apoio às PME

O regulamento prevê coimas, reguladas no artigo 99.º e aplicadas pelas autoridades nacionais competentes. O valor depende do tipo de infração. Para uma PME, é mais útil pôr em ordem as obrigações que já se aplicam do que fazer contas a montantes.

Também há apoio. Segundo o artigo 58.º, o acesso aos ambientes de testagem da regulamentação, as chamadas sandboxes, é gratuito para PME e empresas em fase de arranque; só custos excecionais podem ser recuperados de forma proporcionada. Interessa sobretudo a quem desenvolve um produto próprio com IA.

A Synelo Studio constrói assistentes e chatbots de IA com o aviso de transparência integrado desde o início. Não somos uma sociedade de advogados; a qualificação jurídica de casos duvidosos deve ser feita por um advogado.

Esta é informação geral, atualizada a outubro de 2026, e não constitui aconselhamento jurídico: confirme a sua situação com um advogado ou com a autoridade competente.

Perguntas frequentes

Pus um chatbot no site. O que tenho de dizer aos visitantes?

Desde 2 de agosto de 2026, as pessoas devem saber que estão a interagir com um sistema de IA. Coloque um aviso visível no início da conversa, por exemplo «Está a falar com um assistente de IA». Uma menção nos termos e condições, segundo a leitura dominante, não é suficiente.

O omnibus digital significa que posso ignorar o AI Act até 2027?

Não. O omnibus adiou apenas as obrigações para sistemas de risco elevado, para 2 de dezembro de 2027 e 2 de agosto de 2028. Proibições, literacia em IA, regras GPAI e transparência do artigo 50.º já se aplicam.

Uso IA para escrever artigos de blogue e textos de marketing. Tenho de os identificar?

A marcação técnica de conteúdos gerados recai sobretudo sobre os prestadores das ferramentas. Para quem as usa, o dever expresso de aviso abrange sobretudo imagens, áudio e vídeo realistas que imitam pessoas ou acontecimentos reais. Para textos de marketing comuns, confirme o artigo 50.º para o seu caso; ser transparente custa pouco.

O meu software faz a triagem de currículos. Isso é risco elevado?

O recrutamento é uma das áreas do anexo III, por isso o uso deve ser tratado como potencialmente de risco elevado. As obrigações respetivas aplicam-se a partir de 2 de dezembro de 2027. Pergunte ao fornecedor como se está a preparar e peça a um advogado que analise o caso.

Um chatbot de perguntas frequentes tem o mesmo risco que uma ferramenta de recrutamento?

Não. Um chatbot que responde a perguntas frequentes ou faz marcações, em regra, não desempenha funções do anexo III e tem sobretudo obrigações de transparência. Uma ferramenta que influencia decisões de contratação entra numa área de risco elevado, com obrigações muito mais amplas.

Quais são as coimas e são mais baixas para pequenas empresas?

As coimas estão no artigo 99.º e são aplicadas pelas autoridades nacionais, com valores que variam conforme a infração. Para montantes exatos e o regime das PME, consulte o texto do artigo ou um advogado. O caminho mais seguro é cumprir as obrigações que já se aplicam.

Uso um chatbot por subscrição. Sou prestador ou responsável pela implantação?

Quem compra uma ferramenta de IA a terceiros e a usa no seu negócio é, em regra, responsável pela implantação. O prestador é quem desenvolve o sistema e o coloca no mercado, e tem mais obrigações. Se alterar profundamente o sistema ou o vender com o seu nome, peça que o seu papel seja verificado.

Os trabalhadores precisam de formação em IA? Desde quando?

Sim, o artigo 4.º aplica-se desde 2 de fevereiro de 2025. Não existe um curso ou certificado obrigatório. Uma formação proporcional ao uso que a equipa faz da IA, com um registo simples, é uma resposta razoável.

Lista de verificação

  • Listar todas as ferramentas de IA da empresa, incluindo funções de IA em software já existente.
  • Registar o papel da empresa e a finalidade de cada ferramenta.
  • Acrescentar um aviso visível de IA a chatbots, assistentes de voz e respostas automáticas.
  • Criar uma regra interna para sinalizar imagens, áudio e vídeo realistas gerados por IA.
  • Perguntar aos fornecedores de ferramentas generativas como asseguram a marcação de conteúdos até 2 de dezembro de 2026.
  • Dar formação curta em literacia em IA e guardar o registo.
  • Identificar usos de IA em recrutamento, crédito, educação ou serviços essenciais.
  • Planear uma análise jurídica dos usos potencialmente de risco elevado antes de 2 de dezembro de 2027.

Nota. Este guia tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Consulte as fontes oficiais para o seu caso concreto.

Fontes oficiais

  1. EUR-Lex — Regulamento (UE) 2024/1689 (Regulamento da Inteligência Artificial)
  2. EUR-Lex — Regulamento (UE) 2026/1744 (omnibus digital sobre IA)
  3. White & Case — EU AI Omnibus enters into force (em inglês)
  4. Hunton Andrews Kurth — EU Digital Omnibus on AI enters into force (em inglês)

Um chatbot conforme o artigo 50.º desde o primeiro dia

A Synelo Studio desenvolve assistentes de IA, chatbots e automatizações para PME, com o aviso de IA e a documentação de uso incluídos de origem. Fazemos projetos técnicos, não aconselhamento jurídico. Com a nossa ferramenta de verificação pode fazer uma primeira análise rápida do uso de IA na sua empresa.